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Qui-quadrado ou teste exato de Fisher: como decidir em amostras pequenas
Quando o desfecho é categórico, a comparação de proporções tem regras próprias. Veja qual teste usar e quando.
O teste qui-quadrado é a ferramenta mais usada para analisar a associação entre duas variáveis categóricas — por exemplo, se a proporção de um desfecho difere entre grupos. Mas ele tem um limite importante: em amostras pequenas, deixa de ser confiável, e é aí que entra o teste exato de Fisher. Saber alternar entre os dois é essencial em pesquisa clínica e epidemiológica.
O que são variáveis categóricas e tabelas de contingência
Variáveis categóricas classificam os indivíduos em grupos: sexo, presença ou ausência de um desfecho, grupo sanguíneo, estágio de doença. Para analisar a relação entre duas delas, os dados são organizados em uma tabela de contingência, que cruza as categorias e mostra as frequências observadas em cada célula. A tabela 2×2 (duas linhas por duas colunas) é a mais comum, mas tabelas maiores também aparecem.
Como funciona o teste qui-quadrado
O teste qui-quadrado de independência compara as frequências observadas na tabela com as frequências esperadas sob a hipótese de que não há associação entre as variáveis. Se a diferença entre observado e esperado é grande, o teste aponta associação.
A hipótese nula é a de independência: as duas variáveis não estão associadas (as proporções do desfecho são iguais entre os grupos). Um p pequeno sugere que existe associação.
O pressuposto que decide entre qui-quadrado e Fisher
O qui-quadrado é uma aproximação, e essa aproximação só é boa quando as frequências esperadas nas células são suficientemente grandes. A regra prática mais citada é que as frequências esperadas não devem ser muito baixas — quando várias células têm esperado abaixo de 5, a aproximação falha e o p-valor do qui-quadrado se torna não confiável.
Nesses casos, usa-se o teste exato de Fisher, que calcula a probabilidade exata das configurações da tabela, sem depender de aproximação. Por isso, Fisher é a escolha padrão para amostras pequenas e para tabelas 2×2 com células de baixa frequência.
Correções e variantes
Algumas nuances valem menção. Em tabelas 2×2, existe a correção de continuidade de Yates, que torna o qui-quadrado mais conservador — seu uso é debatido. Quando os dados são pareados (por exemplo, o mesmo indivíduo avaliado antes e depois, ou casos e controles emparelhados), o teste correto não é o qui-quadrado comum, e sim o teste de McNemar, que respeita a dependência entre as observações. Confundir dados pareados com independentes é um erro que invalida a análise.
Medidas de efeito para variáveis categóricas
Assim como em qualquer análise, o p-valor não basta. Para variáveis categóricas, é fundamental reportar uma medida de efeito que quantifique a associação:
- Risco relativo (RR): razão entre as probabilidades do desfecho em dois grupos, comum em estudos de coorte.
- Odds ratio (OR): razão de chances, muito usada em estudos caso-controle e em regressão logística.
- Diferença de proporções e seu intervalo de confiança.
Essas medidas dizem o tamanho e a direção da associação, o que o teste de hipótese sozinho não informa.
Passo a passo prático
- Organize os dados em uma tabela de contingência.
- Verifique se as observações são independentes ou pareadas. Se pareadas, use McNemar.
- Para dados independentes, cheque as frequências esperadas.
- Se as esperadas são adequadas, use qui-quadrado; se há células com esperado baixo, use Fisher.
- Reporte o p-valor e uma medida de efeito (RR ou OR) com intervalo de confiança.
Erros frequentes
- Usar qui-quadrado com amostra pequena e células de baixa frequência, quando Fisher seria o correto.
- Aplicar qui-quadrado a dados pareados, ignorando McNemar.
- Analisar variáveis ordinais como se fossem apenas nominais, perdendo a informação de ordem (existem testes de tendência para esses casos).
- Reportar só o p-valor, sem RR ou OR.
Conclusão
Para variáveis categóricas, o teste qui-quadrado é o ponto de partida, mas o teste exato de Fisher assume o lugar quando a amostra é pequena, e McNemar entra quando os dados são pareados. Acompanhar sempre de uma medida de efeito é o que torna a análise informativa.
Se a sua tabela passou no critério das frequências esperadas e você vai de qui-quadrado, o passo seguinte é reportar corretamente — com estatística, graus de liberdade e tamanho de efeito. Isso está detalhado em qui-quadrado: pressupostos e como reportar (com código em R).
Tem desfechos categóricos para analisar e quer a interpretação correta das razões de risco ou chance? Fale com um especialista.
Perguntas frequentes
Quando usar Fisher em vez de qui-quadrado?
Quando a amostra é pequena e há células com frequência esperada baixa (tipicamente abaixo de 5), situação em que a aproximação do qui-quadrado deixa de ser confiável.
Qui-quadrado serve para dados pareados?
Não. Para dados pareados (mesmo indivíduo em dois momentos, ou pares casados), o teste correto é o de McNemar.
Preciso reportar odds ratio junto com o qui-quadrado?
É altamente recomendável. O teste indica se há associação; a OR ou o RR indicam o tamanho e a direção dela.