Plano de análise estatística
Um plano de análise estatística transforma objetivos de pesquisa em decisões analíticas definidas antes de olhar os resultados. Ele organiza desfechos, hipóteses, variáveis de ajuste, métodos, dados faltantes, análises de sensibilidade e critérios de relato — reduzindo improviso e retrabalho no fim da coleta.
O que um plano de análise deve responder
- qual é o desfecho principal e quais são os secundários;
- quais comparações, associações ou modelos respondem a cada objetivo;
- como variáveis contínuas e categóricas serão tratadas;
- quais covariáveis entram nos modelos e por qual justificativa;
- como serão tratados dados faltantes e perdas de seguimento;
- como serão avaliados pressupostos e observações influentes;
- quais análises de sensibilidade estão previstas;
- como multiplicidade, subgrupos e resultados exploratórios serão tratados.
Quando elaborar o plano
O melhor momento é antes da análise principal e, idealmente, antes do encerramento da coleta. Em estudos clínicos, observacionais e experimentais, decisões pré-especificadas ajudam a separar hipóteses confirmatórias de explorações surgidas depois de ver os dados. Se a coleta ainda não começou, combine o plano com o cálculo amostral.
Plano não é uma lista de testes
Escrever “será usado teste t, ANOVA e qui-quadrado” não constitui um plano adequado. Cada método precisa estar ligado a uma pergunta, desfecho, estrutura de dados e conjunto de pressupostos. Em desenhos longitudinais ou com medidas repetidas, por exemplo, a dependência entre observações precisa entrar na estratégia desde o início.
O que pode entrar na entrega
Conforme o escopo, o documento pode organizar objetivos analíticos, tabela de variáveis, estratégias descritivas, modelos primários e secundários, tratamento de missings, análises de sensibilidade e critérios de apresentação. O objetivo é deixar o caminho auditável e compreensível pela equipe de pesquisa.
Para projetos já coletados
Mesmo com a coleta encerrada, ainda é possível estruturar um plano baseado no protocolo e nos objetivos originais. Nesse caso, é importante distinguir decisões realmente prévias de decisões tomadas após observar os dados. Se uma análise já foi feita e a dúvida é se ela está correta, veja a auditoria estatística.
Próximo passo
Envie no primeiro contato o objetivo principal, desenho, desfechos, grupos ou momentos de avaliação, tamanho aproximado da amostra e estágio da coleta. A proposta define o escopo e as entregas antes do início.