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Coleta de dados em pesquisa: planejamento, instrumento e banco
A coleta de dados é onde a pesquisa se resolve ou se perde — e onde os erros que aparecem meses depois na análise foram cometidos. Banco mal estruturado, instrumento aplicado sem padronização, dado faltante não documentado: nenhum desses problemas se conserta na etapa analítica. Este texto cobre o planejamento da coleta, a escolha e a padronização do instrumento e a construção de um banco que chegue à análise em condições de rodar.
Cursos de metodologia tratam a coleta de dados como um capítulo curto. Na prática, é aqui que a pesquisa se resolve ou se perde. Este texto cobre os tipos de coleta em pesquisa quantitativa, os instrumentos mais usados, como planejar antes de aplicar e o que fazer para que o banco chegue à análise pronto.
Tipos de coleta em pesquisa quantitativa
- Coleta primária: você coleta diretamente do participante. Entrevista estruturada, questionário autoaplicado, medida clínica.
- Coleta secundária: dados já existentes com nova pergunta. Prontuários, SIM, SINAN, DATASUS.
- Coleta mista: combina as duas. Comum em pesquisa clínica que aproveita prontuário e complementa com entrevista.
Instrumentos: escolher antes é sempre mais barato que ajustar depois
Use instrumento validado sempre que existir. Vantagens:
- Vem com escore, unidade e ponto de corte estabelecidos
- Permite comparação com outros estudos
- Já tem confiabilidade documentada
- O comitê de ética aprova mais rápido
Instrumento construído para o estudo exige piloto, análise de consistência interna e, em teses, análise fatorial. O tratamento estatístico específico para escalas em Psicologia está em estatística para pesquisa em psicologia.
Planejamento: o que decidir antes de aplicar
Sete decisões antes do primeiro participante responder:
- População e amostra: quem entra, quem não entra, como serão recrutados, qual o tamanho amostral
- Variáveis: quais, em qual unidade, com quantas casas decimais
- Instrumento: qual, com qual autorização, aplicado por quem
- Modo: presencial, online, misto
- Fluxo: ordem das perguntas, lógica condicional, tempo estimado
- Banco: onde armazenar, quem acessa, como anonimizar
- Plano de análise: que testes serão feitos — sem isso, a coleta pode omitir variável essencial
Coleta online: quando o Google Forms é suficiente
Cuidados que costumam ser esquecidos:
- Configure para exigir resposta nos itens que não podem faltar
- Use lógica condicional para pular seções não aplicáveis
- Não use múltipla escolha em pergunta que deveria ser única
- Teste o formulário com 3–5 pessoas antes da divulgação
- Não altere perguntas no meio da coleta — cria duas variáveis diferentes
O tratamento estatístico dos dados exportados está em análise estatística de Google Forms e questionários.
Gestão do banco durante a coleta
Não deixe para olhar o banco só quando terminar. Faça auditoria contínua:
- Exporte semanalmente e rode uma descritiva simples — total por grupo, missing por variável, valores extremos
- Confira se o instrumento está sendo aplicado como planejado na segunda semana, não no fim
- Documente cada alteração no banco com data, motivo e responsável
Ética, privacidade e LGPD
- TCLE claro sobre uso, tempo de guarda e acesso aos dados
- Plano de anonimização antes da análise
- Armazenamento em nuvem em conformidade com a LGPD
- Base legal explícita quando dados sensíveis são coletados
Próximos passos
Com o banco construído e validado, a próxima etapa é a análise descritiva — que confirma se o que foi coletado corresponde ao que foi planejado. O roteiro está em importar e organizar dados no R e em estatística descritiva: o que reportar em cada variável.